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291 || O valor do capital humano *

Quanto vale o capital humano de cada empresa? Em termos contabilísticos pode medir facilmente o custo através da rubrica de custos com pessoal, mas o que nos interessa realmente (ou o que nos deve interessar) é saber qual o potencial que está por detrás de cada colaborador, e o valor acrescentado que cada qual pode gerar em cada organização. É um facto, trata-se de um exercício especulativo, mas não tenhamos dúvidas que reside aqui um dos principais factores de inovação e diferenciação entre os diversos players no mercado.

Qualquer livro de gestão tem um capítulo destinado à área da gestão de recursos humanos. Da mesma forma, qualquer empresa de referência, independentemente do sector onde actue, tem na gestão de recursos humanos um dos segredos do seu sucesso, seja nos critérios da sua política de recrutamento, na aposta na formação contínua ou na avaliação do desempenho individual (ou preferencialmente associando todos estes factores). Sendo assim, porque continuam grande parte das nossas empresas (para não dizer a maioria) a ignorar o potencial daqueles que diariamente trazem valor para as organizações? Creio que de um forma genérica por duas grandes razões: em primeiro lugar pela falta de uma visão estratégica dos nossos gestores/administradores a médio/longo prazo; a segunda, por uma óptica redutora associada ao conceito de “força de trabalho”. Conta Jack Welch no seu livro Vencer, o comentário feito por um antigo funcionário da General Electrics numa das primeiras vezes que o colocaram numa sala de formação: “durante anos pagaram pelo meu trabalho, quando poderiam ter tido de borla a minha cabeça”. Este comentário é absolutamente fantástico e ilustrativo do capital que diariamente as organizações perdem ao não chamar a sua “força de trabalho” para os processos de melhoria. Quem melhor que os seus colaboradores para identificarem as áreas onde a empresa pode melhorar?

Numa economia onde a concorrência obriga as empresas a serem cada vez mais eficientes, o envolvimento do capital humano na tomada de decisões irá garantir não só o empenho de todos em prol de um objectivo comum (aquilo a que comummente chamamos de “vestir a camisola”), como também uma maior aceitação e compreensão das opções tomadas. Além do mais, o tal “custo com pessoal” torna-se num excelente investimento não só em força produtiva, como também numa equipa de consultores internos que diariamente procuram fazer mais, melhor e com o menor número de recursos. E não se esqueça: diferencie, reconheça e valorize o desempenho daqueles que diariamente se esforçam por acrescentar qualquer coisa ao status quo. A inovação começa, mais do que em qualquer gabinete, no dia-a-dia da sua empresa.

* Publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário de Aveiro

274 || As Oportunidades da Crise

 

Publicado hoje no Suplemento de Economia do Diário de Aveiro

 

A crise está aí, e é uma realidade indesmentível. Todos sabemos que a economia se desenvolve por ciclos, sendo que a grande dificuldade consiste em saber ao certo onde acaba a “tempestade” e onde se inicia a “bonança”.

Numa altura em que muitas empresas lutam pela sua sobrevivência, esta pode ser uma boa altura para se repensar nas opções estratégicas seguidas, e em quais os melhores modelos de gestão que permitam encarar o futuro com o optimismo desejável. O dia-a-dia das administrações das empresas tem vindo a ser preenchido cada vez mais por actividades de carácter operacional, ao invés de actividades de gestão na verdadeira acepção da palavra. As dificuldades de tesouraria, a cobrança de créditos, a pressão para pagamento a funcionários e fornecedores e até o envolvimento nas actividades de carácter comercial levam muitas vezes ao descurar da realidade interna das próprias empresas, em particular dos recursos humanos que a constituem. Fará sentido este olhar de uma forma permanente para o exterior sem que a nossa casa esteja devidamente organizada e preparada para os desafios que vão surgindo? Creio bem que não.

O momento conturbado em que vivemos, pode e deve permitir uma reflexão interna sobre o rumo de cada organização. Nas alturas de maior fulgor económico acreditamos que tudo está bem e concentramo-nos quase exclusivamente em dar resposta às necessidades dos clientes. Satisfazer o mercado é a base do sucesso. São no entanto estas alturas, onde as vendas diminuem, onde a necessidade de recurso ao crédito aumenta e onde são colocados em causa postos de trabalho que nos levam a perguntar o que podemos fazer para melhorar a situação. Um facto é inegável: a razão de ser de qualquer empresa começa no mercado e termina no mercado. O meu produto/serviço continua a ter procura? Sou capaz de o produzir e colocar no mercado a um preço competitivo? Se a estas questões a resposta for positiva, então podemos dizer que os factores de sucesso residem dentro da própria empresa.

Assim sendo, custa a perceber como nos dias que correm continua a existir tanta miopia na gestão de recursos humanos das empresas. As empresas pioneiras à escala mundial têm na gestão de recursos humanos um departamento tão importante como uma direcção financeira. Nos casos de PME’s nem é preciso ter um departamento específico com essas funções: basta um pouco de bom senso. São contratadas pessoas com competências para o exercício das funções? Dou formação complementar para dar as ferramentas necessárias ao desenvolvimento de um trabalho eficaz? Tenho um mecanismo que me permite avaliar a prestação dos meus colaboradores? Sei recompensar as melhores performances como forma de estimular os desempenhos de excelência? São questões tão simples como estas que podem determinar o sucesso ou o fracasso de cada organização. Numa altura em que as empresas se confrontam com tantas dificuldades, esta poderá ser a oportunidade ideal para ajustar a dimensão da empresa à realidade ditada pelo mercado, melhorar os seus processos internos, apostar na qualificação e certificação dos recursos humanos, reconhecer e premiar os melhores desempenhos. Estes passos não vão seguramente fazer desaparecer a crise, mas vão alinhar cada empresa na linha de partida para um novo ciclo que, esperamos nós, se inicie o mais rapidamente possível.

120 || Vencer


Para os aficcionados da Gestão, recomendo vivamente uma leitura deste livro. Jack Welch terá sido possivelmente o maior gestor da segunda metade do século XX, na qualidade de Presidente Executivo da General Electrics. De uma forma extremamente simples, Jack Welch explica alguns dos segredos do sucesso obtido na sua vida profissional. Vale a pena a leitura.