Espanha - A vitória do terrorismo








De que adiantam 8 anos de prosperidade económica? Ao longo destes 8 anos sempre fui admirando um político que apesar de não ser do meus país, sempre transpareceu uma postura de dignidade como poucos. Não era ele que estava directamente sujeito ao escrotínio, mas sim o seu sucessor, Mariano Rajoy. Dos dois mandatos, tudo foi esquecido, como se uma bomba tivesse apagado a sua política. A esquerda, encontrou no atentado de Madrid a sua oportunidade de regressar ao poder, e não a desperdiçou.

Não era a política que era discutida, mas sim, quem tinha feito o atentado em Madrid. A direita esperava que tivesse sido a ETA, a esquerda a Al-Queida. A lotaria calhou à esquerda. Não parece isto tudo ridículo, quando o que está em causa é o futuro de um país? A questão que se deveria colocar seria: está o povo espanhol ao lado do seu líder quando este decidiu apoiar os Estados Unidos na guerra no Iraque? Se não fosse essa a vontade, compreender-se-ia a vontade de mudança. O problema é que todos ficaram com a sensação que este atentado tivesse sido cometido uns dias depois, o PP não perderia as eleições. Foi claramente uma eleição "a quente". E mais que os 200 mortos no atentado, essa foi a grande vitória do terrorismo.

Nota 1: Na hora da derrota estranhou-se o facto de Aznar ter aparecido ao lado de Rajoy. Nada que me tivesse espantado, num homem que pelo que fez pela Espanha, não merecia ter o final de governação que teve.

Nota 2: Li hoje no Jornal de Notícias algumas reacções da vitória de Zapatero. Gostaria de destacar a de Mário Soares: "Os espanhois perceberam que o atentado teve a ver com a Al-Queida e não com a ETA, pelo que estão de parabéns". O ridículo da frase, adjectiva-se a si mesma.

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