274 || As Oportunidades da Crise

 

Publicado hoje no Suplemento de Economia do Diário de Aveiro

 

A crise está aí, e é uma realidade indesmentível. Todos sabemos que a economia se desenvolve por ciclos, sendo que a grande dificuldade consiste em saber ao certo onde acaba a “tempestade” e onde se inicia a “bonança”.

Numa altura em que muitas empresas lutam pela sua sobrevivência, esta pode ser uma boa altura para se repensar nas opções estratégicas seguidas, e em quais os melhores modelos de gestão que permitam encarar o futuro com o optimismo desejável. O dia-a-dia das administrações das empresas tem vindo a ser preenchido cada vez mais por actividades de carácter operacional, ao invés de actividades de gestão na verdadeira acepção da palavra. As dificuldades de tesouraria, a cobrança de créditos, a pressão para pagamento a funcionários e fornecedores e até o envolvimento nas actividades de carácter comercial levam muitas vezes ao descurar da realidade interna das próprias empresas, em particular dos recursos humanos que a constituem. Fará sentido este olhar de uma forma permanente para o exterior sem que a nossa casa esteja devidamente organizada e preparada para os desafios que vão surgindo? Creio bem que não.

O momento conturbado em que vivemos, pode e deve permitir uma reflexão interna sobre o rumo de cada organização. Nas alturas de maior fulgor económico acreditamos que tudo está bem e concentramo-nos quase exclusivamente em dar resposta às necessidades dos clientes. Satisfazer o mercado é a base do sucesso. São no entanto estas alturas, onde as vendas diminuem, onde a necessidade de recurso ao crédito aumenta e onde são colocados em causa postos de trabalho que nos levam a perguntar o que podemos fazer para melhorar a situação. Um facto é inegável: a razão de ser de qualquer empresa começa no mercado e termina no mercado. O meu produto/serviço continua a ter procura? Sou capaz de o produzir e colocar no mercado a um preço competitivo? Se a estas questões a resposta for positiva, então podemos dizer que os factores de sucesso residem dentro da própria empresa.

Assim sendo, custa a perceber como nos dias que correm continua a existir tanta miopia na gestão de recursos humanos das empresas. As empresas pioneiras à escala mundial têm na gestão de recursos humanos um departamento tão importante como uma direcção financeira. Nos casos de PME’s nem é preciso ter um departamento específico com essas funções: basta um pouco de bom senso. São contratadas pessoas com competências para o exercício das funções? Dou formação complementar para dar as ferramentas necessárias ao desenvolvimento de um trabalho eficaz? Tenho um mecanismo que me permite avaliar a prestação dos meus colaboradores? Sei recompensar as melhores performances como forma de estimular os desempenhos de excelência? São questões tão simples como estas que podem determinar o sucesso ou o fracasso de cada organização. Numa altura em que as empresas se confrontam com tantas dificuldades, esta poderá ser a oportunidade ideal para ajustar a dimensão da empresa à realidade ditada pelo mercado, melhorar os seus processos internos, apostar na qualificação e certificação dos recursos humanos, reconhecer e premiar os melhores desempenhos. Estes passos não vão seguramente fazer desaparecer a crise, mas vão alinhar cada empresa na linha de partida para um novo ciclo que, esperamos nós, se inicie o mais rapidamente possível.

274 || Chapum!!


Cuidado que vem aí bomba!

273 || Segue-se a Ecco…

No seguimento do post anterior, eis nova notícia no mesmo sentido. Apenas com uma importante diferença: a aposta no centro de I&D. Ou seja, as unidades vocacionadas para a produção em série têm os dias contados, mas abre-se uma janela de oportunidade para os pólos de desenvolvimento, onde aí sim, somos competitivos. Um quadro especializado é mais barato em Portugal do que na Suécia ou no Reino Unido. Aposte-se pois na formação de qualidade.

272 || Philips deixa Ovar

untitled A Philips anunciou a sua saída de Portugal consumada com o encerramento da unidade fabril em Ovar, que será transferida para a China. Tratam-se de más notícias para o país, em particular para os níveis de desemprego que tendem a subir para valores deveras preocupantes. Infelizmente receio que esta seja uma vaga que esteja apenas no seu início. Li a notícia na edição de hoje do Diário de Aveiro, que juntava a já tradicional posição do PCP que aproveita como ninguém estas alturas para fazer a sua política. Das duas observações que eram feitas, uma mostra-se completamente ridícula, enquanto outra tem a sua razão de ser. Em primeiro lugar, o PCP não percebe porque uma unidade fabril encerra quando supostamente (ainda) não dá prejuízo. Como se uma empresa precisasse de esperar por resultados negativos para, depois sim, poder tomar uma decisão deste tipo. Naturalmente que num mundo altamente concorrencial as empresas são obrigadas a analisar as suas posições antes que seja tarde demais. Por isso mesmo a Philips opta por um país que oferece mão-de-obra muito mais barata, mais acesso a tecnologia, eventuais cargas fiscais mais reduzidas (desconheço o sistema fiscal Chinês pelo que se trata de uma especulação) podendo portanto optimizar o seu processo produtivo, oferecendo um produto a um preço final mais competitivo. Esta realidade o PCP ainda não percebeu.

Por outro lado, o PCP toca num aspecto interessante, que é a análise aos benefícios que são dados para as empresas se virem instalar no nosso país. Tem até aqui existido um mito que consiste num eventual poder que se atribui aos governos em influenciar as decisões sobre os países onde as empresas se vão fixar. Trata-se de algo que não corresponde à realidade. As empresas fixam-se em função das suas estratégias e do contributo que o país pode dar à empresa, e só em opções muito similares os governos poderão ter algum poder em captar os investimentos. Por exemplo, analisando o caso da Philips, e sendo o seu objectivo a redução dos seus custos de produção, por muito que qualquer governo queira é impossível oferecer melhores condições do que aquelas que são oferecidas pelo mercado chinês. Podemos sim trabalhar nos aspectos estruturais da nossa economia como sejam a qualificação da mão-de-obra, a eficiência do sistema de justiça ou a redução de megalómano peso do Estado na nossa economia. Aí sim teremos reais condições para captar o investimento que realmente nos interessa. Até lá, tratam-se de números de ilusionismo.

271 || The Beginning of a new Era

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Foto: Reuters

270 || Quase um Mês sem postar…

Mas muito para dizer. Para breve.

269 || Porque sou contra as jornadas cruzadas da LPB?

Por isto. Com o fim da Liga de Clubes, a Federação Portuguesa de Basquetebol viu-se novamente com o encargo de organizar a principal competição desportiva da modalidade. Sempre atribuí uma das prinicpais causas do fracasso da Liga à criação de "aberrações desportivas". Ver um Benfica x Lusitânia não é como ver um Benfica x Porto. O problema é que nos últimos anos apareceram muitos "Lusitânias" que não trouxeram qualquer emoção à competição. Não faz sentido que um jogo do CNB2 tenha mais gente a assistir aos jogos que um jogo da principal liga de clubes. O pior é que acontece! E porquê? Porque um Beira-Mar ou um Galitos têm muito mais tradição na modalidade que uma Lusitânia ou um Santarém Basket (já para não lembrar o Aveiro Basket). Da mesma forma, na Proliga ficaram equipas como o Illiabum, o Queluz, o Sangalhos ou o Esgueira com um imenso historial e com raizes junto dos seus adeptos.

O formato escolhido pela Federação para a principal divisão trouxe uma estranha novidade, que são as jornadas cruzadas com a Proliga. Justificou-se esta medida como um "rebuçado"para as equipas da divisão secundária, que poderiam medir forças com as principais equipas do nosso país. Acontece que resultados como este em nada abonam a modalidade e obrigam a repensar o modelo. Antes que seja tarde demais...

Adenda: E para me dar mais razão, aqui fica isto.

268 || Hoje é dia de Natal e de...

267 || Feliz Natal

266 || O optimismo

Se há algo que José Sócrates não pode ser acusado é de falta de optimismo. Num dos seus discursos mais recentes aponta 2009 como o ano da baixa das taxas de juro ou da inflação. O sector automóvel vai ter um plano de apoio de 900 milhões de euros! Tudo boas notícias para os portugueses, que finalmente vão ver aumentado o seu poder de compra. A demagogia atingiu o seu limite. Importa perceber que todas estas notícias derivam de uma causa única: a tremenda crise mundial, que vai afectar e muito os portugueses. A começar pelos postos de trabalho. Mas até nisso há "boas" notícias. Espanha está (e vai estar) muito pior que nós... Incrível.

265 || Chinese Democracy

O album marca o regresso dos Guns n Roses, mítica banda dos anos 80 e 90. E que album! 11 anos de produção, uma série de datas de lançamento falhadas, mas por fim um excelente resultado. Vale a pena ouvir.

PS: Escusado será dizer que o album foi proibido na democracia chinesa.

264 || O special one

Portugal idolatra Mourinho. Vemos nele um exemplo de afirmação de um dos nossos no mundo do futebol. Rapidamente a nossa imprensa, até aqui muito atenta à evolução do Chelsea passou a fazer manchetes com os resultados do Inter. Do lado de Mourinho, num dia em que Cristiano Ronaldo ganha a Bola de Ouro, temos o devido reconhecimento com frases como esta: "Preferia que tivesse sido um dos nossos". Os "nossos" são neste caso os jogadores do Inter. Fica-lhe bem...

263 || O pior

O problema da avaliação de desempenho é precisamente este. Passamos a conhecer os melhores e os piores. Ou querem lá ver que o Financial Times também virou oposição?

262 || ...

Fátima Felgueiras foi hoje condenada a 3 anos de prisão com pena suspensa e suspensão do seu mandato de autarca na Câmara de Felgueiras. Tudo isto graças ao seu envolvimento no famoso "saco azul". Ao sair do tribunal dava a impressão que tinha sido Fátima Felgueiras a condenar o Tribunal, e não o contrário. Nada tinha ficado provado, pelo que me interroguei porque raio afinal a senhora tinha sido condenada.

Mas o pior nem é isto. Como é de esperar a defesa de Fátima Felgueiras irá colocar o recurso, o que significa a suspensão da pena até que o recurso seja analisado. Este processo pode ser arrastado por mais um ano (!), ou seja, terminando apenas depois das eleições autárquicas que irão decorrer em 2009. Significa isto que quando foi analisado o recurso, e caso o Tribunal confirme a suspensão do seu mandato, Fátima Felgueiras já terá levado o mandato até ao fim. O funcionamento da nossa justiça é uma vergonha...

261 || 5000

Uma obra de arte o golo 5000 do Benfica na primeira divisão. São estes momentos que (ainda) fazem do Futebol o desporto rei.