Recomendado para enriquecimento curricular.
ridotto: latim de reduto. Blogue pessoal de Francisco Dias
Já aqui havia escrito a forma como a Wii revolucionou o conceito de jogabilidade numa consola. Importa perceber também que as fórmulas de sucesso estão na capacidade de alguém pensar para além do óbvio. Seguramente que o caminho da Nintendo não seria combater a Sony numa consola com melhor desempenho pelo que havia que tentar chamar a atenção dos potenciais clientes de uma outra forma... a forma de se jogar.
Que grande avançado. Lembrei-me de Weah depois de uma reportagem na Sportv que retratava a carreira do libanês. Weah deu acima de tudo nas vistas ao serviço do AC Milan. Em Portugal ficou ainda lembrado pela famosa cabeçada em Jorge Costa nos túneis das Antas, supostamente como resposta à pisadela do defesa português na mão de Weah no jogo da primeira mão. Poucas semanas depois, Weah recebia o prémio fair-play pela FIFA. Nem o benfiquista mais ferrenho se lembraria de tal coisa.
Ontem no programa “A Quadratura do Círculo” na SIC Notícias, Luís Lobo Xavier tocou na ferida quanto ao assunto da casa comprada pelo nosso primeiro-ministro a metade do preço de outras fracções idênticas. É importante dizer que há neste país centenas de processos levantados pelo Ministério das Finanças a comuns cidadãos por presunção de fraude na declaração do preço de imóveis com o objectivo de fuga aos impostos. E não estamos a falar de diferenças de centenas de milhares de euros. Curiosamente quanto a este caso parece que tudo se resume a um bom negócio, como se apenas sua Exa. “Eng.” José Sócrates tenha o dom de poder fazer bons negócios. É por estas e por outras que cada vez as pessoas acreditam menos na democracia, ou pelo menos neste tipo de democracia.
Os assuntos da bola são sempre delicados. Principalmente quando há noites como estas, onde aparecem uns gajos grandes e nada toscos em nossa casa e dão-nos uma mão-cheia de golos. Solidário com os meus amigos e colegas sportinguistas, tentei ser delicado ao abordar o assunto. “Epah, aquilo ontem não correu nada bem pois não?”. O problema é que do outro lado a azia acumulada não permite uma resposta tão politicamente correcta quanto a pergunta. “Ao menos estamos na Liga dos Campeões. Já vocês nem isso”. O “vocês” destina-se à minha costela benfiquista. Ainda penso em responder, mas em sinal de respeito concordo, retiro-me embora não deixe de pensar: “Que raio, se é para isto mais vale realmente nem andar por lá”. E estou bem à vontade para o dizer, não tivesse sido eu um dos 10 mil benfiquistas na célebre noite de Vigo…
Excerto de uma conversa imaginária:
- Olá. Adicionei ao Hi5.
- Não vi. Costumo estar mais atento ao LinkedIn.
- Pois, eu avisei-te mas estavas offline no MSN.
- Epah ias ao Google Talk!
- Ainda fui ao Twitter mais não tinhas nenhum update.
- Estava a postar no live writer.
- Só vi depois no Google Reader.
- Abraço.
- Outro.
Publicado hoje no Suplemento de Economia do Diário de Aveiro
A crise está aí, e é uma realidade indesmentível. Todos sabemos que a economia se desenvolve por ciclos, sendo que a grande dificuldade consiste em saber ao certo onde acaba a “tempestade” e onde se inicia a “bonança”.
Numa altura em que muitas empresas lutam pela sua sobrevivência, esta pode ser uma boa altura para se repensar nas opções estratégicas seguidas, e em quais os melhores modelos de gestão que permitam encarar o futuro com o optimismo desejável. O dia-a-dia das administrações das empresas tem vindo a ser preenchido cada vez mais por actividades de carácter operacional, ao invés de actividades de gestão na verdadeira acepção da palavra. As dificuldades de tesouraria, a cobrança de créditos, a pressão para pagamento a funcionários e fornecedores e até o envolvimento nas actividades de carácter comercial levam muitas vezes ao descurar da realidade interna das próprias empresas, em particular dos recursos humanos que a constituem. Fará sentido este olhar de uma forma permanente para o exterior sem que a nossa casa esteja devidamente organizada e preparada para os desafios que vão surgindo? Creio bem que não.
O momento conturbado em que vivemos, pode e deve permitir uma reflexão interna sobre o rumo de cada organização. Nas alturas de maior fulgor económico acreditamos que tudo está bem e concentramo-nos quase exclusivamente em dar resposta às necessidades dos clientes. Satisfazer o mercado é a base do sucesso. São no entanto estas alturas, onde as vendas diminuem, onde a necessidade de recurso ao crédito aumenta e onde são colocados em causa postos de trabalho que nos levam a perguntar o que podemos fazer para melhorar a situação. Um facto é inegável: a razão de ser de qualquer empresa começa no mercado e termina no mercado. O meu produto/serviço continua a ter procura? Sou capaz de o produzir e colocar no mercado a um preço competitivo? Se a estas questões a resposta for positiva, então podemos dizer que os factores de sucesso residem dentro da própria empresa.
Assim sendo, custa a perceber como nos dias que correm continua a existir tanta miopia na gestão de recursos humanos das empresas. As empresas pioneiras à escala mundial têm na gestão de recursos humanos um departamento tão importante como uma direcção financeira. Nos casos de PME’s nem é preciso ter um departamento específico com essas funções: basta um pouco de bom senso. São contratadas pessoas com competências para o exercício das funções? Dou formação complementar para dar as ferramentas necessárias ao desenvolvimento de um trabalho eficaz? Tenho um mecanismo que me permite avaliar a prestação dos meus colaboradores? Sei recompensar as melhores performances como forma de estimular os desempenhos de excelência? São questões tão simples como estas que podem determinar o sucesso ou o fracasso de cada organização. Numa altura em que as empresas se confrontam com tantas dificuldades, esta poderá ser a oportunidade ideal para ajustar a dimensão da empresa à realidade ditada pelo mercado, melhorar os seus processos internos, apostar na qualificação e certificação dos recursos humanos, reconhecer e premiar os melhores desempenhos. Estes passos não vão seguramente fazer desaparecer a crise, mas vão alinhar cada empresa na linha de partida para um novo ciclo que, esperamos nós, se inicie o mais rapidamente possível.